Empresas de Brusque reagiram à circulação de listas de boicote que associam estabelecimentos a posicionamentos políticos, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo a reportagem publicada em 28 de outubro de 2026.
As manifestações foram divulgadas nas redes sociais, e relatos de outros casos na cidade também chegaram à reportagem. Em diferentes municípios catarinenses, entidades empresariais repudiaram campanhas de boicote por razões políticas.
Além de Brusque, a circulação de listas foi relatada em Concórdia e na Grande Florianópolis. Um advogado que teve o nome incluído em uma relação anunciou denúncia ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
O episódio envolve os impactos de associações políticas sobre empresas e as possíveis consequências legais. A reportagem também cita um precedente do Tribunal de Justiça de São Paulo, de julho de 2025, relacionado a uma lista de boicote.
Empresas de Brusque contestam inclusão em listas de boicote
Entre as empresas citadas nas listas de boicote em Brusque, a Pipoca da Villa disse ter recebido com indignação e tristeza a notícia de sua inclusão. A empresa atribuiu o caso à discriminação por orientação sexual, afirmou ter provas e informou que medidas contra a pessoa responsável estavam sendo tomadas.
A Pipoca da Villa também declarou que construiu sua marca em Brusque e na região por meio do trabalho e do empreendedorismo. A manifestação contestou a associação do estabelecimento a posicionamentos que, segundo a empresa, não representam suas posições.
O restaurante Villa São Luiz afirmou que a lista que o relaciona a um posicionamento político não corresponde à realidade do negócio. Em nota, esclareceu que as opiniões pessoais do proprietário não devem ser confundidas com as da empresa e que atende clientes com o mesmo respeito, sem distinção por convicção política.
Já o Empório Franke pediu, em um comentário no Instagram, que sua manifestação fosse divulgada. Os proprietários negaram ligação com a esquerda ou com o PT, disseram que não se posicionaram durante a campanha e alegaram que a empresa, por ser nova no mercado, não deveria sofrer boicote.
Listas se espalham por Santa Catarina e levantam questões legais
Em Concórdia, empresas mencionadas nas listas também publicaram notas de esclarecimento. O Sindilojas Concórdia e Região e a Associação Empresarial de Concórdia (ACIC) se posicionaram contra campanhas de boicote político; a ACIC alertou que classificações baseadas em informações imprecisas podem prejudicar concorrentes e reputações.
Na Grande Florianópolis, relações identificadas como de “empresários de esquerda” incluíram estabelecimentos de Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, Angelina e Palhoça, em setores como transporte, saúde, advocacia e alimentação. O advogado Lucas Silvy, que teve o nome incluído, anunciou que denunciaria o caso ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC); até a publicação da reportagem, o órgão não havia se manifestado sobre eventual investigação.
Também foram relatadas listas em Arroio do Tigre, no Rio Grande do Sul, e uma mensagem em Sobradinho sugerindo que empresários descobrissem o voto de funcionários e demitissem eleitores de Lula. Especialistas ouvidos na reportagem afirmaram que incitar boicotes e discriminar comércios por razões ideológicas pode violar garantias constitucionais e gerar responsabilização penal e civil, inclusive indenização por danos morais; a inclusão em uma lista, por si só, não comprova apoio a partido ou candidato.
Em julho de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou dois homens por perseguição relacionada a uma lista de boicote criada após a eleição de 2022 em Cafelândia, no interior paulista. Cada condenado deverá pagar quatro salários mínimos a cada uma das sete vítimas que registraram queixa.
